O Presidente da República e o candidato a Presidente coabitam na mesma cabeça, falam pela mesma boca, mas não dizem a mesma coisa:
O candidato diz que o povo (palavra cada vez mais usada à medida que o dia D se aproxima) é iludido pelos governantes; o presidente não considerará a situação suficientemente grave para fazer mais do que reiterados apelos "à verdade".
O presidente defende a separação de poderes; o candidato sugere a criação de um ministério.
O candidato não vê televisões nem lê jornais há algum tempo, tal como o ex-primeiro-ministro; o presidente, recentemente, lia a imprensa com regularidade.
O presidente exalta a sua capacidade de, ao longo dos últimos anos, contribuir para definir o rumo do país e influenciar os acontecimentos; o candidato diz que os alertas do presidente não foram ouvidos.
O candidato critica medidas orçamentais; o presidente aprova orçamento atrás de orçamento.
O presidente preza a estabilidade; o candidato sugere a mudança.
O candidato fala das informações que o presidente recebe, acompanhando em directo a evolução do leilão da dívida.
O candidato e o presidente descredibilizam-se mutuamente.
Tudo isto devia ser evitado, desde logo por uma alteração das regras do mandato presidencial: 6 anos sem possibilidade de recandidatura. Falar-se-ia do passado, presente e futuro com menos duplicidades e equívocos. Mas as regras não são essas e o presidente decidiu ser candidato. Como não gosto de esquizofrenia política tenho menos uma escolha para o próximo Domingo.
Apontamentos e reflexões para lá dos cabeçalhos, soundbits e gigabytes.
Concordo! Tambem será menos uma escolha para mim.
ResponderEliminarEssa foi já a minha decisão desde há muito!
ResponderEliminarInfelizmente, desde há vários anos, não há nem presidente nem cadidato a, que me consigam fazer desistir do meu convicto "voto em branco"!