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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uns e os outros

"Portugal não é a Grécia" é a frase que, para lá da evidência, parece ser o lema adotado por membros do governo em discurso oficial, políticos de vários quadrantes, comentadores e analistas. Dizem-no alto e bom som para que toda a gente - entenda-se, os mercados internacionais - ouça e acredite. Fica bem marcar política e publicamente a diferença com quem está pior. Agora se forem políticos alemães ou europeus a falar de Portugal o caso é diferente, intolerável e ultrajante a ponto de suscitar a pátria união.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Acima das possibilidades

O Presidente da República resolveu falar do valor da reforma do cidadão Aníbal Cavaco Silva, como no passado já o havia feito em relação à cidadã Maria Cavaco Silva.

Lembrou-nos que não pode acumular o vencimento correspondente às funções que exerce com duas reformas a que tem direito: como professor universitário e como trabalhador do Banco de Portugal. Foi pena não nos ter dito que achava bem tal impedimento!

Lamentou-se do valor da primeira reforma, a menor, e que é de 1300 euros; sim, Sr. Presidente, ouvimos bem: 1300 euros. Pareceu achar pouco. Não sei se lê jornais mas Manuela Ferreira Leite escreveu, em novembro, "É profundamente errado que se crie na opinião pública o sentimento de que os reformados recebem as suas pensões a título de generosidade por parte da sociedade. Como se as pensões lhes fossem atribuídas pelo Estado! Como se vivessem à custa do Estado e dos impostos dos cidadãos! O sistema de reformas resulta de quadros legais, ao abrigo dos quais os trabalhadores ao longo da vida contribuíram mensalmente (...)".

Mas talvez o Presidente estivesse apenas a criticar o governo, a troika, as medidas de austeridade, e a alteração de regras, que colocam em causa compromissos, frustram expetativas e goram planos de vida. Se essa era a intenção então perdeu uma oportunidade e não fez justiça à fama de rigor extremo no uso da palavra.

E mesmo ignorando o valor da segunda pensão que lhe é devida, o Presidente, como é seu apanágio, tem poucas dúvidas: o montante total não será suficiente para pagar as despesas.

À imagem do País, o Presidente vive acima das suas possibilidades.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sir Humphrey tinha razão!

"Sem governadores aquilo funciona, sem os secretários é que não."

Podia ser uma tirada de um dos episódios da série televisiva "Sim, Sr. Ministro" mas, de acordo com o jornal Público, foi apenas uma das frases utilizadas por Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, recém empossado, a propósito da anunciada extinção dos governos civis e da subsequente demissão de vários governadores.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Soundbits - o que não precisamos neste momento

"Este pedido de ajuda faz-se para que os portugueses vivam com menos incerteza e angústia e possam ter maiores garantias de que as suas escolhas possam propiciar um caminho diferente com mais esperança para Portugal.", Pedro Passos Coelho reagindo ao anúncio, pelo Primeiro-Ministro, da solicitação de auxílio externo a Portugal.

Nem uma palavra, em sintonia aliás com o Primeiro-Ministro, sobre o significado do pedido de auxílio, a dimensão, o prazo, as contrapartidas a conceder, as medidas a tomar, o ressuscitar do PEC-IV provavelmente em versão aditivada. Muitas palavras, demasiadas palavras, mas nada de substância que reduza a "incerteza e angústia" dos portugueses.

Talvez tenha reduzido a incerteza e a angústia de alguns políticos, a começar por ele próprio: Terei que pedir ajuda? Terei que me entender com "ele" para pedir ajuda em conjunto? O Presidente vai pressionar? Este impasse vai afectar as sondagens, a campanha, os resultados?

Para quem se anda a preparar à tanto tempo para Primeiro-Ministro é pouco.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Soundbits: António Mexia

Citação no sítio do Diário Económico sobre a entrevista de António Mexia (EDP) ao DN e TSF, referindo-se à remuneração que auferiu em 2009 (3,1 milhões): "além disso, o montante "está muito abaixo do que se paga lá fora", notou."

O mesmo se aplica, provavelmente com algumas diferenças, aos outros 10.637.712 habitantes! Lá fora é que se está bem.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Euromilhões... é desta!

Países e cidadãos endividados esperam um golpe de sorte, como se depreende de uma notícia de hoje no sítio do Diário Económico:

"Aprovámos um decreto-lei que permite que o jogo Euromilhões passe a ter dois concursos semanais", revelou Pedro Silva Pereira, no habitual 'briefing' após o Conselho de Ministros.

Não revelou, contudo, se o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças vão passar a apostar duas vezes por semana, numa assim redobrada esperança de um jackpot que permita atenuar o défice e, em simultâneo, continuar a criar excêntricos!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Presidente indexado à Euribor

"Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo pela via de contenção do crédito e pelas subidas das taxas de juro.", Cavaco Silva.

Realmente, mais três semanas desta campanha e os mercados perdem de vez a esperança em Portugal! Podemos sempre fazer um leilão presidencial junto dos mercados, para tentar obter uma taxa de juro mais baixa. Eventualmente subscrevemos também um primeiro-ministro para obter uma bonificação no spread. E então se domiciliarmos umas quantas empresas públicas ...

Ah, não podemos? E os mercados não votam? Assim é difícil sair da crise! E porque é que não alteraram a lei eleitoral para uma única volta? Hmmm, o eleito poderia ter uma percentagem baixa, o que levaria à instabilidade, à dúvida dos mercados (outra vez eles!) e à subida das taxas de juro. Bem, se tivermos estabilidade então estamos safos! Renovamos o contrato do Cavaco e do Sócrates por mais 5 anos; afinal ambos são providenciais, nunca se enganam e raramente têm dúvidas, e assim não há crises. Ah, mas isso foi o que já fizemos ?! Irra!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sério a Sério ?

José Sócrates citado no portal do Governo a propósito da meta para o défice orçamental: "É esse o nosso compromisso e vamos levá-lo muito a sério."

Compromissos, compromissos para levar a sério ou compromissos para levar muito a sério:

- Obrigação de cumprir resultante de promessa.
- Promessa conjunta de duas ou mais pessoas ou entidades.
- Concordata entre o falido e os credores.
- Escrita vincular.
- Acordo, ajuste, convenção.

Definições para "compromisso", Grande Dicionário Enciclopédico Ediclube.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O progresso: Vasco Gonçalves 1975 - PSD 2010

Para o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, a prova da demagogia da esquerda, na reacção ao pré-projecto de revisão constitucional, é que a formulação adoptada - razão atendível - foi usada, em tempos idos, por outras cores:

Miguel Relvas aproveitou para referir que "um decreto-lei de 1975, era primeiro ministro de Portugal o general Vasco Gonçalves", admitia "a cessação do contrato individual de trabalho por despedimento promovido pela entidade patronal ou gestor público, com base em motivo atendível." - no site da TVI.

E esta, hem?

sábado, 10 de julho de 2010

A traição nacional

Na discussão sobre o negócio PT-Vivo-Telefónica o PS acusa o PSD de ser "favorável aos interesses privados da espanhola Telefónica e contra o interesse nacional" [Vitalino Canas].
Como antes o PSD acusava o PS, a propósito do TGV: "Eu não estou aqui para defender os interesses dos espanhóis, eu estou aqui para defender os interesses dos portugueses" [Manuela Ferreira Leite].

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Culto, tecnologia e democracia

A página com nome de primeiro-ministro em versão informática, Sócratesv09, e com fotografia do mesmo, parece focada apenas no imediato eleitoral: Vencer 2009 é o separador que conduz às linhas programáticas. No mesmo sítio anuncia-se uma conferência que trará a Portugal a empresa responsável pelas plataformas online de apoio a Obama, utilizadas na recente campanha americana para angariar fundos e dinamizar redes. O título: Democracia interactiva. É caso para perguntar: e há outras formas de democracia?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Soundbits de campanha

"Pelo direito ao TGV", lê-se num dos cartazes da campanha do PS - a Europa é Vital.

Eis como um determinado meio de transporte é elevado a direito. Direito que, fica implícito, é necessário defender. Direito que o PS defenderá melhor do que os outros partidos. Direito que apenas a Europa, ou as vozes certas na Europa, poderão assegurar (financiar?).

Não é uma apologia das redes ferroviárias como alternativas ou complementos a outros meios de transporte, assegurando cobertura geográfica, diversidade e vantagens ambientais e de segurança. Não é um "Pelo sim ao comboio" - mote que com o mesmo número de letras não desfiguraria o cartaz. Apenas o TGV!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Coerência

Marcelo Rebelo de Sousa, numa das suas intervenções dominicais, defendeu a continuidade de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia alegando a necessidade de manter a estabilidade em tempo de crise. Será que, pelo mesmo princípio, também defende a renovação da maioria absoluta do PS e a recondução de José Sócrates como Primeiro-Ministro?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ironias

Um deputado do PSD, julgo que Pedro Duarte, em intervenção recente no Parlamento dirigiu-se à Ministra da Educação afirmando que se ela fosse sujeita a avaliação certamente já não ocuparia o lugar que ocupa. Não retive as palavras exactas mas o sentido era este e o tom irónico.
Ironia fácil, mas vazia, tão comum no nosso registo parlamentar. O senhor deputado por certo não ignorará que os ministros são avaliados pelo Primeiro-Ministro e que, em democracia, os governos são avaliados pelos eleitores.
Foi aliás a avaliação dos últimos governos PSD que, em grande medida, permitiu ao PS alcançar a maioria absoluta.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sinais

Extracto do sítio do Jornal de Notícias (30 de Agosto) a propósito da hipotética candidatura de Elisa Ferreira à Câmara Municipal do Porto e ao Parlamento Europeu:

"O candidato à Câmara deve dar todos os sinais de concentração no objectivo de vir a ser presidente", defendeu, por sua vez, Pedro Baptista. Isto "para não dar ideia de que vem cá fazer uma expedição". Porém o candidato à Distrital também admite "margem de manobra", como uma solução em que Elisa Ferreira abdicaria no lugar do PE, só após a eleição europeia, num acto de "generosidade política e amor ao Porto."

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Declarações olímpicas

"Eu acho que já cheguei à conclusão que de manhã só 'tou bem é na caminha." - Marco Fortes, atleta olímpico do lançamento do peso, não qualificado para a final.
Hora de início da qualificação: 9h05.
No mesmo dia tinha começado, minutos antes, a primeira série dos 100m barreiras do heptatlo feminino, prova que continuou às 10h30 com o salto em altura, às 19h00 com o lançamento do peso e às 21h15 com os 200 metros.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Soundbits

"E por isso tomei uma decisão: isso não vai voltar a acontecer porque também decidi deixar de fumar." - José Sócrates.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Soundbits

"Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa." - Alberto João Jardim.

"São todos uns imbecis e eu sou o seu chefe." - General Nenpeuplus, em Astérix e os Godos.

sábado, 8 de março de 2008

Soundbits

"A resposta não a quero dar, porque se a desse tinha de dizer que sim." - Ângelo Correia.
Ouvi na Antena 1.