Um deputado do PSD, julgo que Pedro Duarte, em intervenção recente no Parlamento dirigiu-se à Ministra da Educação afirmando que se ela fosse sujeita a avaliação certamente já não ocuparia o lugar que ocupa. Não retive as palavras exactas mas o sentido era este e o tom irónico.
Ironia fácil, mas vazia, tão comum no nosso registo parlamentar. O senhor deputado por certo não ignorará que os ministros são avaliados pelo Primeiro-Ministro e que, em democracia, os governos são avaliados pelos eleitores.
Foi aliás a avaliação dos últimos governos PSD que, em grande medida, permitiu ao PS alcançar a maioria absoluta.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Luxemburgo
O Luxemburgo é hoje um país com cerca de 450.000 habitantes, dos quais quase 40% são estrangeiros e 64.000 são Portugueses. De condado, no início do II Milénio, só alcançou o estatuto de País no final do mesmo, depois de uma história atribulada, própria do centro da Europa, como atesta esta passagem do Grande Dicionário Enciclopédico Ediclube:
"No séc. X o Luxemburgo era um condado, convertido em ducado em 1354. Esteve unido à Borgonha em 1444, à Espanha em 1555, à França em 1659, ao Império em 1713 e de novo à França desde 1793 a 1815, em que pelo Congresso de Viena o Grão-Ducado foi admitido como membro da Confederação Germânica, embora estivesse vinculado à coroa holandesa. Com a dissolução, em 1866, da Confederação e de acordo com o Congresso de Londres de 1867 garantiu-se a independência do Luxemburgo."
"No séc. X o Luxemburgo era um condado, convertido em ducado em 1354. Esteve unido à Borgonha em 1444, à Espanha em 1555, à França em 1659, ao Império em 1713 e de novo à França desde 1793 a 1815, em que pelo Congresso de Viena o Grão-Ducado foi admitido como membro da Confederação Germânica, embora estivesse vinculado à coroa holandesa. Com a dissolução, em 1866, da Confederação e de acordo com o Congresso de Londres de 1867 garantiu-se a independência do Luxemburgo."
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Change
Barack Obama será o próximo inquilino da Casa Branca, ao conquistar um resultado de especial significado na história dos EUA. A sua eleição representa, para muitos, o concretizar do sonho americano: a ascensão, por mérito próprio, de um cidadão afro-americano ao cargo mais alto da nação; um símbolo da igualdade de oportunidades, num país em que parte dos actuais eleitores viveu o período de segregação racial. Mais do que isso, o carismático Obama tornou-se, para milhões de norte-americanos, o rosto da esperança e da mudança que desejam. Finda esta etapa tem pela frente o desafio de liderar o processo da proclamada mudança. Em termos internacionais é bom não esquecer que o modo de Obama ver o mundo será, seguramente, diferente da visão de um europeu. Estamos, afinal, a falar do líder da única superpotência ocidental, bem consciente do papel que o seu país quer desempenhar, e que zelará, primeiro que tudo, pelo interesse americano.
Estas terão sido, seguramente, as eleições mais seguidas de sempre em todo o planeta. O reality show das primárias democratas, com os candidatos a desistirem com o passar das semanas, os duelos Obama-Clinton e McCain-Obama, golpes baixos q.b., o espectáculo à americana, a importância dos EUA no mundo e a extensa cobertura mediática contribuíram com a sua quota parte. Mas estou convencido que muito se deveu às características dos próprios candidatos, que por si só encarnam sonhos e aspirações diferentes: McCain, o patriota descendente de linhagem militar, herói e prisioneiro de guerra, realidade conhecida por muitas famílias americanas, desalinhado de posições do próprio partido; Obama, o advogado negro, filho de um africano, e que permite um virar de página na história dos EUA; Clinton, ex-primeira dama, senadora e que esteve quase a tornar-se na primeira mulher a enfrentar a votação final para o cargo de Presidente.
Impressionou-me o entusiasmo de muitos portugueses por estas eleições, e pela vitória de Obama, principalmente pelo contraste com o olhar dos mesmos sobre a política partidária portuguesa. Entre nós é comum dizer-se que os políticos são todos iguais, que as diferenças entre os grandes partidos são cada vez menores, e que as eleições são sobretudo uma dança de cadeiras. Nada de decisivo, pois, até porque Bruxelas manda cada vez mais…As eleições nos EUA mostraram que há, de facto, políticos diferentes e que a discussão ideológica não está enterrada. Votar a preto e branco é definitivamente um exercício mais mobilizador do que optar entre diferentes cambiantes de cinzento.
Can we change?
Estas terão sido, seguramente, as eleições mais seguidas de sempre em todo o planeta. O reality show das primárias democratas, com os candidatos a desistirem com o passar das semanas, os duelos Obama-Clinton e McCain-Obama, golpes baixos q.b., o espectáculo à americana, a importância dos EUA no mundo e a extensa cobertura mediática contribuíram com a sua quota parte. Mas estou convencido que muito se deveu às características dos próprios candidatos, que por si só encarnam sonhos e aspirações diferentes: McCain, o patriota descendente de linhagem militar, herói e prisioneiro de guerra, realidade conhecida por muitas famílias americanas, desalinhado de posições do próprio partido; Obama, o advogado negro, filho de um africano, e que permite um virar de página na história dos EUA; Clinton, ex-primeira dama, senadora e que esteve quase a tornar-se na primeira mulher a enfrentar a votação final para o cargo de Presidente.
Impressionou-me o entusiasmo de muitos portugueses por estas eleições, e pela vitória de Obama, principalmente pelo contraste com o olhar dos mesmos sobre a política partidária portuguesa. Entre nós é comum dizer-se que os políticos são todos iguais, que as diferenças entre os grandes partidos são cada vez menores, e que as eleições são sobretudo uma dança de cadeiras. Nada de decisivo, pois, até porque Bruxelas manda cada vez mais…As eleições nos EUA mostraram que há, de facto, políticos diferentes e que a discussão ideológica não está enterrada. Votar a preto e branco é definitivamente um exercício mais mobilizador do que optar entre diferentes cambiantes de cinzento.
Can we change?
Publicado, em versão reduzida, no jornal Público, Cartas ao Director, em 12/11/08
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
3 Questões sobre os mercados financeiros
1. As trocas (compras e vendas) de curto prazo contribuem para a solidez da economia real?
2. Faz sentido taxar (limita de forma desigual - quem pode paga) ou limitar verdadeiramente este tipo de trocas?
3. Devemos caminhar para um novo sistema em que não tenhamos meros detentores de acções (shareholders) mas sim verdadeiras partes interessadas (stakeholders), em sintonia aliás com a perspectiva de longo prazo recomendada aos investidores?
2. Faz sentido taxar (limita de forma desigual - quem pode paga) ou limitar verdadeiramente este tipo de trocas?
3. Devemos caminhar para um novo sistema em que não tenhamos meros detentores de acções (shareholders) mas sim verdadeiras partes interessadas (stakeholders), em sintonia aliás com a perspectiva de longo prazo recomendada aos investidores?
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Autonomia universitária, a falta dela e os problemas da regulação
No contexto actual de crise global, que faz recentrar as atenções no papel das instituições, do Estado e dos poderes e mecanismos de supervisão e regulação, eis duas citações sobre a questão da(s) autonomia(s) universitária(s).
A propósito das diferentes concepções de autonomia presentes na Europa, e em especial da diferença entre o modelo britânico e o modelo continental, escreve Guy Neave:
"In effect, the Guardian Relationship between State and University in its Humboldtian version and its variants ensured Academic Autonomy. It did not necessary subscribe to Institutional Autonomy. On the contrary, the lines of accountability were laid down in the greatest detail..."
E mais à frente:
"This was not so in Britain. Institutional Autonomy was an essential principle." "Other differences follow from this condition, not least of which the view that Institutional Autonomy is the prior condition that guarantees Academic Autonomy. To the British academic, without the first, the second is precarious at best."
Extractos de "From Guardian to Overseer; Trends in Institutional Autonomy, Governance and Leadership" in Políticas de Ensino Superior - Quatro Temas em Debate, Edição do Conselho Nacional de Educação, 2007.
Na edição de hoje do Diário Económico,e a propósito do Orçamento de Estado para 2009, Pedro Lourtie escreve:
A recuperação orçamental que se anunciava para 2009, afinal não está à vista. E a promessa de que o MCTES acorrerá às situações de incapacidade para honrar os compromissos, com um fundo a distribuir casuisticamente, é perverso. As instituições ficam na dependência da caridade do MCTES e a autonomia torna-se uma noção remota. Por este andar, as reitorias e presidências das instituições de ensino superior públicas passarão, de facto, a morar no Palácio das Laranjeiras.
A propósito das diferentes concepções de autonomia presentes na Europa, e em especial da diferença entre o modelo britânico e o modelo continental, escreve Guy Neave:
"In effect, the Guardian Relationship between State and University in its Humboldtian version and its variants ensured Academic Autonomy. It did not necessary subscribe to Institutional Autonomy. On the contrary, the lines of accountability were laid down in the greatest detail..."
E mais à frente:
"This was not so in Britain. Institutional Autonomy was an essential principle." "Other differences follow from this condition, not least of which the view that Institutional Autonomy is the prior condition that guarantees Academic Autonomy. To the British academic, without the first, the second is precarious at best."
Extractos de "From Guardian to Overseer; Trends in Institutional Autonomy, Governance and Leadership" in Políticas de Ensino Superior - Quatro Temas em Debate, Edição do Conselho Nacional de Educação, 2007.
Na edição de hoje do Diário Económico,e a propósito do Orçamento de Estado para 2009, Pedro Lourtie escreve:
A recuperação orçamental que se anunciava para 2009, afinal não está à vista. E a promessa de que o MCTES acorrerá às situações de incapacidade para honrar os compromissos, com um fundo a distribuir casuisticamente, é perverso. As instituições ficam na dependência da caridade do MCTES e a autonomia torna-se uma noção remota. Por este andar, as reitorias e presidências das instituições de ensino superior públicas passarão, de facto, a morar no Palácio das Laranjeiras.
Subscrever:
Mensagens (Atom)