No Público de 25 de Fevereiro:
"Bolonha prevê um ensino mais centrado no aluno e estes queixam-se de ter demasiado trabalho. Além dos exames, há avaliações contínuas, trabalhos individuais e de grupo, teóricos e de laboratório, é preciso assistir às aulas porque também contam para a nota, enumera Filipe Almeida, presidente da Federação Académica do Porto. "Os estudantes estão com mais trabalho, mas a questão é: por que é que têm de se submeter a este tipo de avaliação, quando Bolonha não diz que seja obrigatório passar o dia inteiro na faculdade?", interroga."
Sem comentários.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Pequenas coisas
Estou convencido que uma parte significativa da tão falada falta de produtividade do nosso país se deve à incapacidade de fazer, bem, um sem número de pequenas coisas. Coisas que sendo mal feitas causam desperdício de tempo, energia, motivação e dinheiro, alguns dos principais recursos ao nosso dispor para fazer face aos desafios que temos pela frente.
Um exemplo, entre muitos outros, existentes nos mais diversos domínios, é a recente alteração do calendário escolar para o 11º e 12º anos. As actividades lectivas que estavam programadas para terminar a 9 de Junho, terça-feira, serão agora dadas por concluídas a 5 de Junho, a sexta-feira anterior. A menos que os dias agora subtraídos tenham sido, à partida, dados como “perdidos”, será agora necessário efectuar ajustes de programação, afectando professores, alunos e famílias envolvidas.
Justificações apresentadas no despacho publicado: a necessidade de concluir o processo de exames antes das férias, a conciliação dos interesses das famílias com os decorrentes da organização das escolas, o direito às férias dos intervenientes nas actividades escolares, o processo de acesso ao ensino superior e os constrangimentos associados aos feriados nacionais.
Aspectos sem dúvida relevantes e que deverão ser tidos em conta em todos os anos lectivos, mas que não surgiram, subitamente, em Janeiro de 2009! Fica assim por explicar porque não foram considerados há 6 meses, no momento da definição do calendário escolar para o ano 2008/09.
Um exemplo, entre muitos outros, existentes nos mais diversos domínios, é a recente alteração do calendário escolar para o 11º e 12º anos. As actividades lectivas que estavam programadas para terminar a 9 de Junho, terça-feira, serão agora dadas por concluídas a 5 de Junho, a sexta-feira anterior. A menos que os dias agora subtraídos tenham sido, à partida, dados como “perdidos”, será agora necessário efectuar ajustes de programação, afectando professores, alunos e famílias envolvidas.
Justificações apresentadas no despacho publicado: a necessidade de concluir o processo de exames antes das férias, a conciliação dos interesses das famílias com os decorrentes da organização das escolas, o direito às férias dos intervenientes nas actividades escolares, o processo de acesso ao ensino superior e os constrangimentos associados aos feriados nacionais.
Aspectos sem dúvida relevantes e que deverão ser tidos em conta em todos os anos lectivos, mas que não surgiram, subitamente, em Janeiro de 2009! Fica assim por explicar porque não foram considerados há 6 meses, no momento da definição do calendário escolar para o ano 2008/09.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Justiça social
Competitividade, internacionalização, rankings, prestígio, parcerias com empresas, contributo para o desenvolvimento económico, prestação de serviços, diversificação do financiamento, atracção dos melhores estudantes, eficácia, eficiência, qualidade.
Estas são algumas das expressões mais frequentemente usadas na formulação de políticas para o ensino superior, e também na definção de estratégias pelas próprias instituições.
Vale por isso a pena ler a transcrição da palestra proferida por Lord Giddens a 11 de Novembro de 2008, por ocasião da 6ª palestra anual do Higher Education Policy Institute, e que intitulou Reflections on the future of universities.
Este antigo director da London School of Economics (LSE) decidiu focar a sua intervenção na relação entre ensino superior e justiça social, tema que considera ser um dos mais importantes em matéria de ensino superior.
No cerne da sua reflexão encontra-se a constatação de que subsiste uma enorme estratificação social no acesso ao ensino superior, apesar de todas as mudanças ocorridas nas últimas décadas no que se refere à estrutura da sociedade, ao mercado de trabalho e aos sistemas de ensino. No caso inglês, refere, citando trabalhos recentes da LSE, que apenas ingressam na universidade 11% dos filhos e 15% das filhas de trabalhadores não qualificados! Mais preocupante ainda a constatação de que cerca de 10% da população não é apenas pobre, mas encontra-se realmente encurralada na pobreza, sem mecanismos adequados que lhe possibilitem uma saída.
Embora as raízes destes problemas estejam a montante dos sistemas de ensino superior há aqui um enorme campo de intervenção em que também os actores do ensino superior têm de participar. Políticas de acesso e de apoio social, aproximação entre as instituições e as comunidades locais (o que significa não só trazer outras pessoas às universidades mas também levar as universidades às pessoas), valorização social do conhecimento e da aprendizagem, desenvolvimento de percursos individuais apropriados, informação sobre o ensino e sobre as actividades profissionais.
Nestas décadas de tempo acelerado é cada vez mais necessário saber fazer uma pausa, reflectir, questionar algumas "inevitabilidades" e escolher novos rumos.
Estas são algumas das expressões mais frequentemente usadas na formulação de políticas para o ensino superior, e também na definção de estratégias pelas próprias instituições.
Vale por isso a pena ler a transcrição da palestra proferida por Lord Giddens a 11 de Novembro de 2008, por ocasião da 6ª palestra anual do Higher Education Policy Institute, e que intitulou Reflections on the future of universities.
Este antigo director da London School of Economics (LSE) decidiu focar a sua intervenção na relação entre ensino superior e justiça social, tema que considera ser um dos mais importantes em matéria de ensino superior.
No cerne da sua reflexão encontra-se a constatação de que subsiste uma enorme estratificação social no acesso ao ensino superior, apesar de todas as mudanças ocorridas nas últimas décadas no que se refere à estrutura da sociedade, ao mercado de trabalho e aos sistemas de ensino. No caso inglês, refere, citando trabalhos recentes da LSE, que apenas ingressam na universidade 11% dos filhos e 15% das filhas de trabalhadores não qualificados! Mais preocupante ainda a constatação de que cerca de 10% da população não é apenas pobre, mas encontra-se realmente encurralada na pobreza, sem mecanismos adequados que lhe possibilitem uma saída.
Embora as raízes destes problemas estejam a montante dos sistemas de ensino superior há aqui um enorme campo de intervenção em que também os actores do ensino superior têm de participar. Políticas de acesso e de apoio social, aproximação entre as instituições e as comunidades locais (o que significa não só trazer outras pessoas às universidades mas também levar as universidades às pessoas), valorização social do conhecimento e da aprendizagem, desenvolvimento de percursos individuais apropriados, informação sobre o ensino e sobre as actividades profissionais.
Nestas décadas de tempo acelerado é cada vez mais necessário saber fazer uma pausa, reflectir, questionar algumas "inevitabilidades" e escolher novos rumos.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Ensino Superior em Debate - Reino Unido
O Secretário de Estado John Denham anunciou, em discurso proferido em Fevereiro de 2008, a intenção de desenvolver um novo quadro de referência para o Ensino Superior Britânico, para os próximos 10 a 15 anos.
Para mais informações e acesso aos documentos já produzidos para informar o debate, aceder ao sítio The Debate on the Future of Higher Education em http://www.dius.gov.uk/policy/he-debate.html
"So, at the end of this process, we should aim to produce together a 10 to 15 year framework for the expansion and development of higher education. One that sets out what universities should aspire to achieve. And one that is clear about the role of government."Elencando um vasto conjunto de temas de trabalho para os quais solicitou contributos específicos a instituições e individualidades (as questões internacionais do Ensino Superior, a Academia e o desenvolvimento de políticas públicas, o desempenho das instituições de ensino superior, estudos em regime de tempo parcial, o ensino e a vivência dos estudantes, liderança mundial em e-learning, carreiras de investigação, o impacto do desafio demográfico sobre as instituições, a propriedade intelectual), conclui afirmando:
"The challenge, then, is to be at least as proud of our university system in 15 years' time as we justifiably can be today. To do that, we need shared aims. We must accept the scale of the challenge and agree about the importance of success. We must be prepared, where necessary, for radical reform and change. We need a long-term framework for expansion and development. Bold leadership from universities and a clear understanding of how government will provide support. That is what we must now work towards."
Para mais informações e acesso aos documentos já produzidos para informar o debate, aceder ao sítio The Debate on the Future of Higher Education em http://www.dius.gov.uk/policy/he-debate.html
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Ironias
Um deputado do PSD, julgo que Pedro Duarte, em intervenção recente no Parlamento dirigiu-se à Ministra da Educação afirmando que se ela fosse sujeita a avaliação certamente já não ocuparia o lugar que ocupa. Não retive as palavras exactas mas o sentido era este e o tom irónico.
Ironia fácil, mas vazia, tão comum no nosso registo parlamentar. O senhor deputado por certo não ignorará que os ministros são avaliados pelo Primeiro-Ministro e que, em democracia, os governos são avaliados pelos eleitores.
Foi aliás a avaliação dos últimos governos PSD que, em grande medida, permitiu ao PS alcançar a maioria absoluta.
Ironia fácil, mas vazia, tão comum no nosso registo parlamentar. O senhor deputado por certo não ignorará que os ministros são avaliados pelo Primeiro-Ministro e que, em democracia, os governos são avaliados pelos eleitores.
Foi aliás a avaliação dos últimos governos PSD que, em grande medida, permitiu ao PS alcançar a maioria absoluta.
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