quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Presidente indexado à Euribor
Realmente, mais três semanas desta campanha e os mercados perdem de vez a esperança em Portugal! Podemos sempre fazer um leilão presidencial junto dos mercados, para tentar obter uma taxa de juro mais baixa. Eventualmente subscrevemos também um primeiro-ministro para obter uma bonificação no spread. E então se domiciliarmos umas quantas empresas públicas ...
Ah, não podemos? E os mercados não votam? Assim é difícil sair da crise! E porque é que não alteraram a lei eleitoral para uma única volta? Hmmm, o eleito poderia ter uma percentagem baixa, o que levaria à instabilidade, à dúvida dos mercados (outra vez eles!) e à subida das taxas de juro. Bem, se tivermos estabilidade então estamos safos! Renovamos o contrato do Cavaco e do Sócrates por mais 5 anos; afinal ambos são providenciais, nunca se enganam e raramente têm dúvidas, e assim não há crises. Ah, mas isso foi o que já fizemos ?! Irra!
domingo, 16 de janeiro de 2011
O Presidente-Candidato
O Presidente da República e o candidato a Presidente coabitam na mesma cabeça, falam pela mesma boca, mas não dizem a mesma coisa:
O candidato diz que o povo (palavra cada vez mais usada à medida que o dia D se aproxima) é iludido pelos governantes; o presidente não considerará a situação suficientemente grave para fazer mais do que reiterados apelos "à verdade".
O presidente defende a separação de poderes; o candidato sugere a criação de um ministério.
O candidato não vê televisões nem lê jornais há algum tempo, tal como o ex-primeiro-ministro; o presidente, recentemente, lia a imprensa com regularidade.
O presidente exalta a sua capacidade de, ao longo dos últimos anos, contribuir para definir o rumo do país e influenciar os acontecimentos; o candidato diz que os alertas do presidente não foram ouvidos.
O candidato critica medidas orçamentais; o presidente aprova orçamento atrás de orçamento.
O presidente preza a estabilidade; o candidato sugere a mudança.
O candidato fala das informações que o presidente recebe, acompanhando em directo a evolução do leilão da dívida.
O candidato e o presidente descredibilizam-se mutuamente.
Tudo isto devia ser evitado, desde logo por uma alteração das regras do mandato presidencial: 6 anos sem possibilidade de recandidatura. Falar-se-ia do passado, presente e futuro com menos duplicidades e equívocos. Mas as regras não são essas e o presidente decidiu ser candidato. Como não gosto de esquizofrenia política tenho menos uma escolha para o próximo Domingo.
domingo, 9 de janeiro de 2011
O País pode esperar
O Primeiro-Ministro congratula-se com o cumprimento da meta para o défice orçamental de 2010. Afinal conseguimos cumprir! É de somenos se tal foi alcançado graças a expedientes, tão condenados pelos mesmos no passado; é de somenos se um défice elevado continua a ser um défice elevado, implicando o crescimento da dívida; é de somenos se pagamos cada vez mais por este dinheiro que não é nosso, mas a que achamos ter direito. O País pode esperar.
O líder do principal partido da oposição volta a acenar com a queda do Governo, desta vez caso o FMI seja chamado a intervir. Ao longo dos últimos anos afirmou, como muitos outros, que não se pode acrescentar uma crise política às crises financeira e económica. Claro que já vivemos em cenário de crise da política há muitos anos, como demonstra esta visão de subalternização da política. Como resultado condicionou o papel do seu partido a uma parceria forçada, esperando naturalmente por melhores tempos para desencadear a dita crise: participou na aprovação dos PEC’s e do Orçamento para 2011. Pelos vistos agora pode estar a chegar o momento da crise política, uma vez mais, cavalgando um pretexto externo. Cenários haverá para todos os (des)gostos: e se o FMI chega ainda antes das Presidenciais? Ou pouco depois? E se o PSD não alcança a maioria absoluta? E se o PSD perde? É um jogo perigoso, o do timing político, em que as convicções cedem lugar à mera oportunidade. O País pode esperar.
O preço do petróleo atinge os 95 dólares por barril, valor muito superior aos 78,8 dólares previstos pelo Governo no enquadramento traçado para 2011, e que serviu de base ao Orçamento recentemente promulgado. O valor do nosso défice é já usado como medida internacional de referência - diz a Agência Internacional para a Energia: “The European Union’s oil import bill grew by $70 billion last year. This figure is equal to the combined budget deficits of Greece and Portugal”. Diversos bens alimentares atingem valores nunca antes alcançados. Dos nossos governantes, candidatos presidenciais e restantes políticos nem uma palavra sobre estes assuntos. Como diz Pedro Magalhães, em entrevista ao Público (8/1/2011), “Podemos passar uma tarde inteira na Assembleia da República a ouvir um debate sobre uma lei sem nunca ouvir outra coisa que não sejam palpites…”. O País pode esperar.
Os portugueses, sejam políticos, empresários ou trabalhadores, percebem a urgência de mudar, de mudar como única forma de tentar tornar o país viável? Há já mudanças profundas em curso, nas instituições e nas atitudes individuais, que não sejam apenas decorrentes de leis ou de pacotes de austeridade, impostos por terceiros? Não creio que a resposta seja positiva. Parece que continuamos à espera do próximo financiador, de um líder salvador, da Europa, do reboque das economias americanas e alemã, ou de um 2012 que, por artes mágicas, faça a diferença.
Mas o País já não pode esperar.
sábado, 11 de dezembro de 2010
A "diatadura do parecer"
O coração da vida social e política deixou de ser a coerência entre o ser, o pensar, o dizer e, sobretudo, o fazer e passou a ser a "ditadura do parecer" e a retórica da omissão ou da ocultação.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O optimista, o pessimista e o engenheiro
Teixeira dos Santos é 16.º melhor ministro das finanças
Diário de Notícias
Teixeira dos Santos em 16.º lugar no 'ranking' do FT
Diário Económico
Teixeira dos Santos desce no "ranking" dos melhores ministros das finanças
Jornal de Negócios
Teixeira dos Santos relegado quase para o final do "ranking" do "Finantial Times"
Público
FT: Ministro é o 4.º pior da Europa
Diário Digital
Nota final: o ranking é calculado tendo por base 3 dimensões, tendo o ministro português obtido as seguintes classificações:
- vertente económica: 12.º
- credibilidade: 17.º
- vertente política: 18.º