quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O ensino no mercado












"É uma das maiores redes de ensino superior do mundo. A Laureate International Universities tem cerca de 70 instituições em todo o planeta com quase 800 mil estudantes. O grupo acaba de anunciar a estratégia para construir um grupo de ensino superior em Portugal. Para já criou a Universidade Europeia. Madalena Queirós entrevista Nélson Brito, CEO da Laureate International Universities . "Capital Humano" de 1 de Julho de 2013."

Económico, 2013.



"Diz que o projecto de uma universidade se faz a 50 anos, mas tivemos recentemente algumas universidades a fechar no país. A Laureate está preparada para enfrentar esse período?

Sim, a Laureate é um corredor de maratonas e temos passado noutros mercados, como Brasil, Peru, México, onde temos mais de 170 mil estudantes. Quando entrámos no México o país não era aquele em que nosso ministro está hoje a tentar que se compre às empresas portuguesas. Todos os países passam por dificuldades, Portugal está a passar por elas, mas depois as coisas podem melhorar e temos de trabalhar para aproveitar isso.", N. Brito, CEO da Laureate Portugal.

Jornal I, 26/06/2013



"O Grupo Laureate International Universities está a expandir a sua presença em Portugal através da aquisição de duas instituições pioneiras na formação em design e em marketing: o Instituto de Arte, Design e Empresa (IADE) e o Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM)."

Universidade Europeia, 31/03/2015



"A integração do IADE e do IPAM na rede Laureate International Universities demonstra o nosso compromisso com o desenvolvimento e a internacionalização do ensino superior em Portugal", afirma Nélson Santos de Brito, CEO da Laureate Portugal e Espanha."

Universidade Europeia, 31/03/2015


"A Universidade Europeia, o IPAM e o IADE vão ter um novo dono num futuro próximo. Laureate quer reorientar os seus esforços para os mercados de grande dimensão, como Brasil e México."

Observador, 24/08/2018


"Item 1.01. Entry into a Material Definitive Agreement. On December 12, 2018, Iniciativas Culturales de España S.L., a Spanish private limited liability company ("ICE"), and Laureate I B.V., a Netherlands private limited liability company ("Laureate I"), both of which are indirect wholly owned subsidiaries of Laureate Education, Inc. (the "Company"), entered into a Sale and Purchase Agreement (the "Agreement") with Samarinda Investments, S.L., a Spanish limited liability company (the "Purchaser")."

MarketScreener, 12/12/2018


"Laureate Education, Inc. (NASDAQ:LAUR), the world’s largest global network of higher education institutions, announced today that it has signed an agreement with a company backed by the Permira funds, for the sale of Laureate’s institutions in Spain and Portugal, contingent on the receipt of all necessary regulatory and accreditation approvals."

Commenting on the transaction, Pedro López, Head of Spain for Permira, the global private equity firm, said “(...) Under the ownership of the Permira funds, these institutions will maintain their focus on delivering high quality education, providing new and innovative learning experiences. The funds will continue to invest in their physical campuses and reinforce their online offering to meet the evolving needs of their student population. We look forward to working with management and academics, leveraging our global resources, local knowledge and expertise to help these universities execute on their growth plans and continue providing students with a world-class academic experience.”

Permira, 12/12/2018


"A espanhola Samarinda, detida pela Permira, comprou as universidades que pertenciam à Laureate Education. Em causa estão o IADE, o IPAM e a Universidade Europeia."

Jornal de negócios, 30/01/2019

domingo, 6 de janeiro de 2019

A dúvida ou o benefício









Realiza-se, amanhã, a Convenção Nacional do Ensino Superior 2030, sob o mote "O Ensino Superior e a Qualificação dos Portugueses: O que falta fazer?". Fazer, fazer ... falta fazer muito. Basta olhar para para alguns indicadores que retratam a situação do País, em comparação com outros. Basta olhar para os avanços e recuos nas políticas de ensino superior, para as medidas avulsas, e para os compromissos assinados com pompa e circunstância, mas raramente cumpridos. Basta ver algumas sessões da Assembleia da República, sobre o tema. Basta ouvir o silêncio, alguns dirão o recato, de muitos dos responsáveis, aos diversos níveis, sobre questões fundamentais.

Olhei para o programa e detive-me, apenas, nas filiações dos diferentes oradores que farão a moderação, participarão nos debates e comentarão as diferentes sessões. Não considerei, sequer, outras vestes em que alguns, por vezes, aparecem. Então, temos:

  7 Membros do Governo, maioritariamente no papel de comentadores (!)
  3 Membros de anteriores Governos
  4 Deputados
  2 Líderes de juventudes partidárias

12 Responsáveis ou ex-Responsáveis por Instituições de Ensino Superior
  3 Dirigentes de instituições de investigação, unidades de ensino ou serviços
  3 Dirigentes de Associações Estudantis
  2 Presidentes de estruturas ligados ao acesso e acreditação no Ensino Superior
10 Elementos de instituições de ensino superior universitário
  1 Membro,de nacionalidade portuguesa, de uma instituição internacional

  1 Autarca
  1 Líder sindical
  1 Presidente de uma agência para a competitividade

  1 Presidente da República

Olhando para o conjunto talvez se deva marcar falta de comparência ao Primeiro-Ministro.

Pois.
E é isto.
A caminho de 2030.

Um encontro de muita gente que, decerto, já se encontrou bastas vezes.
Ou que talvez se tenha já desencontrado inúmeras vezes.
Reitores com o Ministro da tutela e com o Presidente da República.
Deputados com Reitores.
Sindicalista com Deputados, Reitores e Associações. Associações com Deputados.
Deputados com Juventudes, e Juventudes com Associações.
Autarca com Reitor e Deputados.
Estudiosos e pensadores observando todos.
Governo e Deputados em fim de mandato.

A sensação de um circuito demasiado fechado.
Uma torre de marfim de decisores.
De posições a defender e manter.
Pode ser que me engane.
O futuro está já aí.

Logo se verá qual o benefício.
Neste momento pendo mais para o lado da dúvida.

Programa da convenção em https://www.cnensinosuperior.pt/programa/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Subidas para baixo















No Observador de hoje:

"Portugal tem quatro escolas de negócios entre as 95 melhores da Europa: Católica-Lisbon, Nova SBE, Porto Business School e ISCTE. Esta última foi a portuguesa que mais subiu em relação ao ano passado."

Sinal "+", escolas a subir
Umas mais que as outras, como é normal.
Continuo a ler.

"(...) a Católica cai duas posições em relação ao ano anterior (...)"

Mau ...
Já sabemos que o ISCTE foi a que subiu mais.
A Católica desceu.
Restam duas.

"(...) movimento em que é acompanhada por todas as universidades portuguesas presentes nesta lista, exceto pela ISCTE Business School."

Ah!
Afinal, não.
O ISCTE foi de facto a que mais subiu.
E, em bom português, foi a única que subiu.
As outras subiram ..., como dizer ..., subiram para baixo.
A laia do jargão económico, estamos perante crescimentos negativos.

Mas cada título tem o seu impacto, implícito e explícito, com agrados e desagrados diversos:
(...) a escola portuguesa que mais subiu
(...) a única que subiu
(...) a única que não desceu
(...) a única descida negativa (também se deve poder dizer!)

domingo, 2 de dezembro de 2018

Discriminar exaustivamente











Texto, certamente em crescimento ao longo dos próximos tempos, que figura em muitos anúncios de emprego:

"O/a trabalhador/a ou candidato/a a emprego do setor privado ou público tem direito a igualdade de oportunidades e de tratamento no que se refere ao acesso ao emprego, à formação e promoção ou carreira profissionais e às condições de trabalho, não podendo ser privilegiado/a, beneficiado/a, prejudicado/a, privado/a de qualquer direito ou isento/a de qualquer dever em razão, nomeadamente, de ascendência, idade, sexo, orientação sexual, estado civil, situação familiar, situação económica, instrução, origem ou condição social, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência, doença crónica, nacionalidade, origem étnica ou raça, território de origem, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical, devendo o Estado promover a igualdade de acesso a tais direitos."
Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego

Texto alternativo: "Nesta casa não se efetua qualquer tipo de discriminação".

sábado, 27 de outubro de 2018

É fazer as contas!











Em artigo de opinião publicado no Expresso, no dia 20 de outubro, na sua coluna semanal Confusion de Confusiones, João Duque, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, estimou o custo da redução da propina máxima no ensino superior público, inscrita na proposta de Orçamento de Estado para 2019, em 60 milhões de euros.

A conta é simples: cerca de 200€ a menos por cada um dos 300 000 estudantes inscritos.
Certo? Errado!

Primeiro, porque a medida não se aplica a todos os estudantes; retiremos os doutoramentos, os segundos ciclos não exigidos para exercer uma profissão, os estudantes em mobilidade internacional, a Universidade Aberta e o ensino policial e militar; em conjunto serão menos 65000 alunos (ou 13 milhões de euros).

Segundo, porque a perda não é de 200€ por cabeça, pelo simples facto de que muitas instituições não cobram a propina máxima; feitas as contas aos cursos técnicos superiores profissionais e ao diferencial real da propina em apenas três politécnicos e duas universidades, e temos 5,3 milhões a deduzir.

Já vamos em 18 milhões a menos, ou seja, 30% em relação ao estimado por João Duque. E fica ainda por fazer a conta às restantes instituições e aos alunos que, por beneficiarem da ação social, não pagam propinas. É obra, tamanho erro!

Confusiones, certamente.