Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Uns e os outros
"Portugal não é a Grécia" é a frase que, para lá da evidência, parece ser o lema adotado por membros do governo em discurso oficial, políticos de vários quadrantes, comentadores e analistas. Dizem-no alto e bom som para que toda a gente - entenda-se, os mercados internacionais - ouça e acredite. Fica bem marcar política e publicamente a diferença com quem está pior. Agora se forem políticos alemães ou europeus a falar de Portugal o caso é diferente, intolerável e ultrajante a ponto de suscitar a pátria união.
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Disponibilidade para ver
"Vê-se melhor quando não se vai para ver nada, quando os olhos procuram tudo o que possam achar. E encontram tudo.", escreve Miguel Esteves Cardoso, no Público de hoje.
Ocorre-me que o mesmo se passa em relação a ouvir, a ouvir os outros, de modo a encontrar tudo aquilo que querem dizer, e não apenas o que gostaríamos que fosse dito. Ouvir melhor, compreender melhor, agir melhor.
Ocorre-me que o mesmo se passa em relação a ouvir, a ouvir os outros, de modo a encontrar tudo aquilo que querem dizer, e não apenas o que gostaríamos que fosse dito. Ouvir melhor, compreender melhor, agir melhor.
Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
O xadrez é tão simples!
(...) hear what Dvoretsky says in a section called "The Plan": "There is a popular opinion that the highest strategic art is the ability to envelop nearly the whole game in a profound plan, and that this is precisely how leading grandmasters think. This is a delusion. It is nonsensical to map out an overly long plan - the very next move could totally change the situation on the board and give it a completely different direction." He then goes on to talk about using the phrase 'the next strategic operation' in place of the word 'plan', to emphasize the local, time-limited, and pragmatic nature of most actual planning.
Reflexões sobre um jogo que envolve apenas 2 oponentes, um tabuleiro de 64 casas, 32 peças de seis tipos diferentes e que se classifica como jogo de informação completa, uma vez que, havendo suficiente capacidade de cálculo, seria possível equacionar todas as jogadas possíveis.
Reflexões pertinentes também para o mundo fora do tabuleiro, que se assemelha mais a um contínuo de partidas simultâneas de jogos de diferentes tipos, interligados, raramente jogados a 2, com inúmeros fatores externos de difícil previsibilidade e com recursos variáveis no tempo.
E a que é necessário juntar ainda: a componente relacional entre indivíduos e grupos com diferentes objetivos, informação e meios; a componente comunicacional; os processos de decisão, etc., etc.
A citação inicial foi retirada de John Watson (1998) Secretes of Modern Chess Strategy - Advances since Nimzowitsch, Gambit.
Reflexões sobre um jogo que envolve apenas 2 oponentes, um tabuleiro de 64 casas, 32 peças de seis tipos diferentes e que se classifica como jogo de informação completa, uma vez que, havendo suficiente capacidade de cálculo, seria possível equacionar todas as jogadas possíveis.
Reflexões pertinentes também para o mundo fora do tabuleiro, que se assemelha mais a um contínuo de partidas simultâneas de jogos de diferentes tipos, interligados, raramente jogados a 2, com inúmeros fatores externos de difícil previsibilidade e com recursos variáveis no tempo.
E a que é necessário juntar ainda: a componente relacional entre indivíduos e grupos com diferentes objetivos, informação e meios; a componente comunicacional; os processos de decisão, etc., etc.
A citação inicial foi retirada de John Watson (1998) Secretes of Modern Chess Strategy - Advances since Nimzowitsch, Gambit.
Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Mission overload
Fazer escolhas: escolher para evitar a sobrecarga; escolher para diferenciar.
We have argued that the number and variety of external interests with which the higher education institutions deal with, seek support from, and, ultimately, rely upon has literally exploded. This produces the risk of running into problems of 'mission overload'; that universities 'try to be all things to all people'. To fulfil their obligation towards being a socially accountable institution producing public goods therefore urges the universities to carefully select their stakeholders and identify the 'right' degree of differentiation.
B. Jongbloed, J. Enders e C. Salerno (2008) Higher education and its communities: interconnections, interdependencies and a research agenda, Higher Education, 56, 303-324.
We have argued that the number and variety of external interests with which the higher education institutions deal with, seek support from, and, ultimately, rely upon has literally exploded. This produces the risk of running into problems of 'mission overload'; that universities 'try to be all things to all people'. To fulfil their obligation towards being a socially accountable institution producing public goods therefore urges the universities to carefully select their stakeholders and identify the 'right' degree of differentiation.
B. Jongbloed, J. Enders e C. Salerno (2008) Higher education and its communities: interconnections, interdependencies and a research agenda, Higher Education, 56, 303-324.
Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Há Universidades a mais?
Tema abordado na edição de 21 de janeiro do programa Click, emitido na Antena 1.
Disponível em: http://tv2.rtp.pt/multimediahtml/audio/click/2012-01-21/105673.
Disponível em: http://tv2.rtp.pt/multimediahtml/audio/click/2012-01-21/105673.
Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Acima das possibilidades
O Presidente da República resolveu falar do valor da reforma do cidadão Aníbal Cavaco Silva, como no passado já o havia feito em relação à cidadã Maria Cavaco Silva.
Lembrou-nos que não pode acumular o vencimento correspondente às funções que exerce com duas reformas a que tem direito: como professor universitário e como trabalhador do Banco de Portugal. Foi pena não nos ter dito que achava bem tal impedimento!
Lamentou-se do valor da primeira reforma, a menor, e que é de 1300 euros; sim, Sr. Presidente, ouvimos bem: 1300 euros. Pareceu achar pouco. Não sei se lê jornais mas Manuela Ferreira Leite escreveu, em novembro, "É profundamente errado que se crie na opinião pública o sentimento de que os reformados recebem as suas pensões a título de generosidade por parte da sociedade. Como se as pensões lhes fossem atribuídas pelo Estado! Como se vivessem à custa do Estado e dos impostos dos cidadãos! O sistema de reformas resulta de quadros legais, ao abrigo dos quais os trabalhadores ao longo da vida contribuíram mensalmente (...)".
Mas talvez o Presidente estivesse apenas a criticar o governo, a troika, as medidas de austeridade, e a alteração de regras, que colocam em causa compromissos, frustram expetativas e goram planos de vida. Se essa era a intenção então perdeu uma oportunidade e não fez justiça à fama de rigor extremo no uso da palavra.
E mesmo ignorando o valor da segunda pensão que lhe é devida, o Presidente, como é seu apanágio, tem poucas dúvidas: o montante total não será suficiente para pagar as despesas.
À imagem do País, o Presidente vive acima das suas possibilidades.
Lembrou-nos que não pode acumular o vencimento correspondente às funções que exerce com duas reformas a que tem direito: como professor universitário e como trabalhador do Banco de Portugal. Foi pena não nos ter dito que achava bem tal impedimento!
Lamentou-se do valor da primeira reforma, a menor, e que é de 1300 euros; sim, Sr. Presidente, ouvimos bem: 1300 euros. Pareceu achar pouco. Não sei se lê jornais mas Manuela Ferreira Leite escreveu, em novembro, "É profundamente errado que se crie na opinião pública o sentimento de que os reformados recebem as suas pensões a título de generosidade por parte da sociedade. Como se as pensões lhes fossem atribuídas pelo Estado! Como se vivessem à custa do Estado e dos impostos dos cidadãos! O sistema de reformas resulta de quadros legais, ao abrigo dos quais os trabalhadores ao longo da vida contribuíram mensalmente (...)".
Mas talvez o Presidente estivesse apenas a criticar o governo, a troika, as medidas de austeridade, e a alteração de regras, que colocam em causa compromissos, frustram expetativas e goram planos de vida. Se essa era a intenção então perdeu uma oportunidade e não fez justiça à fama de rigor extremo no uso da palavra.
E mesmo ignorando o valor da segunda pensão que lhe é devida, o Presidente, como é seu apanágio, tem poucas dúvidas: o montante total não será suficiente para pagar as despesas.
À imagem do País, o Presidente vive acima das suas possibilidades.
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
A importância de perceber
"A fraqueza de uma percepção global leva ao enfraquecimento do sentimento de responsabilidade, cada um tende a ser responsável apenas pela sua tarefa, e isso leva ao enfraquecimento da solidariedade (...)"
Edgar Morin citado em "Liderança - as lições de Mourinho" (2007), L. Lourenço e F. Ilharco.
Edgar Morin citado em "Liderança - as lições de Mourinho" (2007), L. Lourenço e F. Ilharco.
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