quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Posições vitalícias vs. vitalidade das posições

Uma petição às Cortes, na Espanha do século XVI, onde os professores de posição mais elevada eram nomeados para toda a vida, declarava:

"Pedimos a Vossa Majestade que as cadeiras nos estudios de Salamanca e Valladolid sejam concedidas, não de forma vitalícia, mas só de forma temporária, como acontece na Itália e noutros sítios, porque quando são atribuídas de forma vitalícia surgem muitos problemas e complicações, especialmente entre aqueles professores que, tendo tomado posse da sua cadeira, não se preocupam nem com estudar nem com ajudar os estudantes. Mas quando as cadeiras são temporárias, há muitas vantagens porque os docentes procuram voltar à sua cadeira, para aumentarem os seus salários e para terem maior audiência estudantil."

"Uma história da universidade na Europa", vol. II - "As universidades na Europa Moderna (1500-1800)", W. Rüegg (coordenador geral).

Interessante esta última referência à busca pela audiência estudantil como factor de reconhecimento do mérito; algo que à luz dos códigos de hoje seria considerado um "indicador de desempenho" integrado num qualquer sistema de avaliação.

Imaginemos uma cadeira ministrada por vários docentes; imaginemos que os alunos não são distribuídos burocraticamente por turmas de acordo com padrões de distribuição de serviço pelos docentes e de ocupação do espaço; imaginemos que os alunos possuem liberdade de escolher o mestre com quem querem aprender; imaginemos que se tiram consequências das procuras abundantes e das procuras escassas; imaginemos ...

2 comentários:

Ana Paula disse...

Imaginemos também que sempre que um professor atrai muitos (ou mais) alunos é apenas (ou sobretudo)) por causa do seu saber, das suas capacidades ´científico-pedagógicas...
Imaginemos que as audiências são sempre proporcionais à qualidade do desempenho...
Moral da história ( digo eu): nem vitalício, nem barómetro!

Mig disse...

Não digo que deva ser o único factor, nem sequer o determinante, mas, voltando à analogia, é um barómetro: a pressão medida permite distinguir uma depressão de um anticiclone; mas não chega para saber se está sol ou a chover ;)
Lembro-me de considerar aulas imprescindíveis e de não ir a aulas que se limitavam a um despejar de acetatos (pois ... foi há umas décadas:), que bastava fotocopiar e estudar.
E também acredito que os docentes, como outros profissionais, sabem avaliar as capacidades dos seus colegas, e que até o fazem, ainda que informalmente e em conversa, no dia-a-dia!